Croácia x Turquia

Croácia 1 (1) x 1 (3) Turquia
20 de Junho de 2008 - Eurocopa 2008 - Oitavas-de-Final

Esperava um confronto mais equilibrado. No entanto, o que se viu foi uma avalanche croata que não tomou conhecimento do sistema defensivo otomano durante quase todo o 1º tempo.

Os croatas, montados por Slaven Bilic em um insinuante 4-4-1-1, têm como ponto forte a mobilidade. Os jogadores não guardam posição e realizam ultrapassagens e triangulações com muita facilidade. Módric é o cérebro da equipe, cadenciando o jogo, participando da criação e chegando força dentro da área. Os laterais, fazendo dupla com os meias, dão maior peso ao ataque, possibilitando uma profundidade nas ações ofensivas, muito objetivas e rápidas. Tudo isso com o contra-peso de um sistema defensivo sólido, comandado pelos Kovac e com Simunic como fiel escudeiro.

A Turquia, que não teve Mehmet Aurélio e Emre, perdeu muito em qualidade no meio-campo. Apesar de, no papel, a equipe estar montada em um 4-1-3-2, na prática eram 5 na marcação. Os homens mais avançados responsáveis pelas faixas laterais, no entanto, só acertaram a marcação à partir dos 30 minutos do 1º tempo. Até então, estavam sempre mal-posicionados para marcar. O que indica que a equipe tinha pretensões ofensivas, mas se viu completamente envolvida pelo toque de bola Croata. Tuncay passou a ser o grande pensador da equipe, mas um pensador com características de operário, ajudado pelo esforçado Topal, que passou a ser o 1º volante do time.

A grande exibição dos croatas durante todo o 1º tempo culminou na maior oportunidade de gol de todos em 119 minutos de partida, com Modric avançando pela esquerda e Olic perdendo gol incrível.

Esse foi o momento chave do jogo. E o componente psicológico passou a ser mais importante que o tático. A Turquia cresceu defensivamente (apesar de continuar muito mal no ataque), ajudada pelo abalo em que se viu os croatas, visivelmente aturdidos pela chance de gol que perderam. Os croatas jamais foram os mesmos após esse momento.

O segundo tempo foi trágico do ponto de vista técnico. As duas equipes arriscaram pouco e se anularam. Como disse o comentarista na TV, se respeitaram muito.

A prorrogação veio e o jogo arrastava-se para os pênaltis até que Klasnic colocou a bola pra dentro após uma jogada de insistência de Modric, ajudado pelo estabanamento do experiente Rustu. E os croatas, aos 29 minutos da prorrogação, comemoravam a vaga na semi-final.

Mas o jogo tomou proporções épicas (bem ao estilo dos turcos), quando o mesmo Rustu jogou a bola na área croata, já nos acréscimos e a bola mal rebatida encontrou o furioso chute de Senturk, que havia substituido Topal. Nos pênaltis, como era de se esperar, os desmoralizados croatas bateram 3 pênaltis muito mal e os heróicos otomanos conseguiram a vaga.

Foi mais uma partida em que o fator emocional fez a diferença. A instabilidade psicológica dos croatas tolhiu sua vantagem técnica sobre os turcos, nivelando o jogo, que acabou sendo decidido na valentia e, porque não dizer, na sorte.