A Alemanha, desfalcada de um de seus principais jogadores, Frings, responsável pela saída de bola e pela cadência do time junto com Balack, foi armada com outro esquema, o 4-3-2-1 (nas primeiras partidas havia utilizado o 4-4-2). Rolfes, volante, atuou no lugar de Frings, e apareceu pouco, atuando na marcação. Para o lugar de Mário Gomez, foi escalado Schweinsteiger, que atuou na faixa direita do meio-campo, tornando-se a principal figura do jogo. E no lugar de Fritz, atuou Hitzlsperger.
O Portugal de Felipão utilizou o mesmo esquema, com Nuno Gomes como referência de ataque e três jogadores ofensivos no meio-campo.
A mudança no time alemão se fez notar logo no início da partida. Apesar de nenhum dos dois lados criar chances até os 15 minutos, os nórdicos exerciam domínio no meio-campo, com maior peso na marcação e saída em velocidade. Mas o mais notável foi a agressividade dos alemães. O componente psicológico foi muito importante nessa partida. Claramente os Portugueses se assustaram com o volume de jogo dos alemães.
Aos poucos Portugal foi se soltando no jogo, até porque é difícil manter o ritmo que os alemães empregavam durante muito tempo e Bosingwa acabou funcionando como a principal válvula de escape portuguesa. Talvez esse fosse o calcanhar de Aquiles do time nórdico, já que o forte de Lahm não é a marcação.
Mas, logo depois, Podolski, atuando como meia-esquerda, fez jogada brilhante de dupla tabela e foi à linha de fundo cruzando com perfeição para a entrada de Schweinsteiger na 1ª trave, antecipando-se ao sonolento Paulo Ferreira. Antes que Portugal pudesse sair das cordas, Metzelder, que resolveu tentar subidas-surpresa durante a partida, sofreu uma falta na intermediária adversária e na cobrança Ballack encontrou Klose sozinho para cabecear, em mais um cochilo defensivo português.
Portugal tomou conta do jogo após o 2º gol, diante de certo relaxamento da Alemanha e levou perigo com a subida de produção de Ronaldo. A saída de J. Moutinho, lesionado, para a entrada de Raúl Meirelles não alterou muito a disposição tática da equipe, mas era notório que a Alemanha deixava espaços em sua defesa, fosse no flanco esquerdo ou no espaço entre Metzelder e Lahm.
E o gol, que estava amadurecendo, aconteceu em uma inversão de bola da direita encontrando Ronaldo no flanco oposto, que num belíssimo drible de primeira, deixou Mertesacker para trás e finalizou. Na sobra, Nuno Gomes colocou para dentro, dando esperanças ao esquadrão luso para a segunda etapa.
O início do 2º tempo foi preocupante para os alemães. Portugal foi pra cima e os laterais alemães foram amarelados rapidamente. A Alemanha continuava saindo em velocidade nos contra-golpes mas marcava com menos agressividade, mais perto de sua área. Foi nesse momento que Portugal esteve mais próximo de empatar e quase o fez com Pepe praticamente debaixo da trave, em escanteio ensaiado.
Mas a ducha de água fria para os portugueses veio logo depois em falta sofrida por Klose e cobrada por novamente por Schweinsteiger. Ballack marcou após empurrar Ferreira.
O gol acabou momentaneamente com o ânimo português. Felipão colocou Nani e Postiga no lugar de Petit e Gomes, num esforço final, mas os alemães defenderam com muita energia, permitindo aos portugueses apenas chutes de fora da área, a maioria precipitados. Assim, Portugal, que conseguiu marcar apenas faltando 2 minutos para o tempo regulamentar, em jogada de Nani e Postiga, não conseguiu resistir à Alemanha.
Foi uma vitória bem ao estilo da tradição alemã. Baseada na força física e tamanho de seus jogadores, bem como numa postura mais agressiva e muita concentração. Só assim, respeitando seu estilo e extraindo o máximo dele, a Alemanha poderia vencer uma equipe tecnicamente superior como Portugal.