Brasil 0 x 0 Argentina
18 de Junho de 2008 - Eliminatórias para a copa de 2010 - 6a Rodada

A Argentina utilizou o mesmo esquema com que foi à Copa de 2006, com três zagueiros, sendo Heinze atua como falso lateral (como o Botafogo de Cuca) e volta fechando como zagueiro quando a equipe não tem a bola.

O Brasil fez mudanças em relação a equipe que atuou contra o Paraguai, mantendo-se ainda com três volantes, mas com Anderson no lugar de Josué e Diego saindo para a entrada de Júlio Baptista.

Independente da escalação, a postura em campo do Brasil foi mais agressiva, postado mais à frente e dando combate com mais energia no meio-campo. A Argentina começou a partida respeitando muito o Brasil, com exceção de Messi, que procurou conduzir a bola várias vezes perto da área brasileira.

A primeira parte do 1º tempo foi muito movimentada, com uma certa predominância do Brasil, que conseguia trocar passes com qualidade na intermediária adversária, dando a entender que as mudanças de Dunga surtiram efeito.

A Argentina esteve tímida mas conseguiu algumas faltas perto da área brasileira, conduzindo a bola, e finalizou com Cruz, no segundo pau, após penetração individual de Heinze. Riquelme, vigiado de perto por Mineiro, pouco apareceu.

Mas as melhores chances do 1º tempo foram do Brasil. Na primeira, Gilberto iniciou a jogada pela esquerda, que passou pelo pivô Adriano e encontrou Robinho. O ex-santista deu lindo drible mas chutou mal. Na sobra, Adriano não conseguiu marcar.

Logo na seqüência, Robinho foi lançado por Maicon, aproveitando a falta de lateral-direito da equipe Argentina, e chegou a driblar Abbondanzieri, mas não deu prosseguimento à jogada, nem chutando, nem caindo, nem passando a Adriano.

O jogo caiu após a saída de Anderson, lesionado, e a entrada de Diego, que, por motivos difíceis de explicar em termos táticos e técnicos, jamais faz partidas inspiradas no meio-campo da seleção.

A última chance do 1º tempo foi argentina. Coloccini conseguiu colocar a bola nas costas da defesa brasileira, para a velocidade de Messi, que invadiu a área mas perdeu o ângulo para o chute, finalizando mal.

O segundo tempo foi dominado pelos hermanos, que conseguiram boas trocas de passes no setor central de seu ataque (os avanços dos alas Gutierrez e Zanetti foram tímidos) e finalizaram várias vezes, além de arranjar várias faltas próximas à área brasileira. Algumas delas foram feitas por Diego, que, por não ter cacoete de marcador, chegava desequilibrado, cometendo infrações desnecessárias.

Em uma das poucas vezes que a Argentina atacou pelos flancos, quase conseguiu marcar. O perigoso falso-zagueiro Heinze cruzou e Riquelme deu lindo passe para Júlio Cruz chutar muito alto.

O jogo nesse momento estava muito franco, com as equipes se expondo a um pouco mais de risco, mas calculado. Uma derrota seria trágica para as duas equipes.

A batalha dos desarmes no meio-campo teve leve superioridade argentina, com seus limpa-trilhos Mascherano e Gago marcando muito forte. A entrada de Agüero aumentou ainda mais o poder de penetração e tabelas dos portenhos, que rodearam a grande-área brasileira durante todo o final da partida e estiveram mais próximos de marcar.

Aos 25, Dunga faz sua segunda alteração, colocando Luís Fabiano no lugar de Adriano, mas o fabuloso, apesar de mostrar mais mobilidade, pouco acrescentou ao improdutivo ataque brasileiro.

Aos 38 Dunga ainda colocou Daniel Alves no lugar de Diego. Sem questionar o valor de Daniel Alves, é curioso Dunga não lançar mão de um talento como Alexandre Pato em 180 minutos de péssimo futebol. Seria um lampejo de criatividade de nosso treinador. Uma tentativa final de vencer a partida e recuperar o mínimo de credibilidade perante o torcedor.

Ao mesmo tempo, Àlfio Basile, satisfeito com o resultado, colocou o carrega-pianos Battaglia no lugar de Riquelme, exterminando qualquer esperança que restava aos amantes do bom futebol.

José Mourinho havia dito em entrevista que tinha grandes expectativas quanto a esse jogo, porque só havia grandes jogadores de ambos os lados. O que se viu, no entanto, foram duas equipes decadentes, covardes e improdutivas, mais preocupadas em não perder do que ganhar. Espírito de luta é importante, mas não é só isso que se espera de duas seleções de futebol (e não de boxe). Espera-se o mínimo de inspiração, inventividade, molecagem. Coisas que só apareceram em raros momentos nos pés de Robinho e, principalmente, do atrevidíssimo Messi.