O Brasil apresentou-se em Assunção com a mesma formação que utilizou na Copa América: Três jogadores de marcação no meio campo e um meia centralizado, Diego, formando um losango.
O Paraguai utilizou dois meias ofensivos, Santana e Haedo, um 4-4-2 com formação diferente no setor central.
A postura defensiva dos paraguaios desde o início do jogo foi pressionando o Brasil, marcando em "meia-pressão", forçando erros de passes brasileiros na saída de bola, que aconteceram aos montes, originados de Gilberto Silva, Josué e Gilberto. Diego, carregando a bola, foi desarmado algumas vezes.
Sem pressionar ofensivamente o adversário, o Paraguai começou a encontrar brechas pelo lado esquerdo da defesa brasileira, eterno ponto fraco do time de Dunga, por onde saíram alguns lances perigosos, inclusive o arremate de Cabañas na trave.
Mas foi em uma saída de bola errada com Diego que surgiu o gol paraguaio. O meia perdeu a bola e surgiu o escanteio pela esquerda e na cobrança, rasteira, após pane geral do miolo da defesa canarinho, Roque Santa Cruz apenas escorou para o fundo do gol.
Ao sair para o ataque o Brasil esbarrou na falta de criatividade do meio-campo, e não conseguiu jogar com a bola no chão, apesar de Diego ter subido de produção e chamado a responsabilidade para si, até esboçando jogadas perigosas, sempre neutralizadas pela agressiva defesa guarani.
Para o 2º tempo, o Brasil voltou com Anderson para o lugar de Josué, fazendo o lado esquerdo do losango central. Mas a substituição não surtiu o efeito esperado porque Anderson se posicionou muito longe de Diego. Robinho tentou se aproximar para o "diálogo" com o meia do Werder Bremen, mas foi em vão diante do exército guarani à frente da área.
Deu a impressão que a situação ia melhorar para o Brasil com a expulsão do lateral-direito Verón, em uma das inúmeras faltas do rodízio feito sobre Robinho. Mas logo depois o Brasil sofreu o segundo gol, em contra-golpe puxado pelo melhor jogador em campo, Roque Santa Cruz. Lançado pelo lado esquerdo do ataque, Juan não fez a cobertura e após finalização, Cabañas, o carrasco brasileiro de 2008, marcou.
Para recompor sua defesa, o argentino Gerardo Martino sacou Valdez e colocou Cáceres, recuando Vera para a lateral direita, formando um esquema 4-3-2, que não abdicava do ataque.
O Brasil pressionou, com era de se esperar, mas sem jamais oferecer perigo, já que a maioria das jogadas terminava em finalizações desequilibradas de fora da área ou cruzamentos sem peso da intermediária. Assim quase tomamos o 3º gol, em contra-ataque, salvo por Maicon debaixo da trave.
As entradas de Adriano e Júlio Baptista foram uma tentativa justamente de dar esse peso ofensivo que faltava, já que Diego sumiu do jogo na 2ª etapa. As entradas de Torres e Cardozo no lugar da dupla ofensiva foram protocolares, não alterando o panorama da partida.
O Brasil armou-se para enfrentar um adversário que conhecia bem e acabou caindo na armadilha, cometendo erros crassos e depois esbarrando na própria montagem do time na hora de tentar reagir.
Dunga tem bons resultados na seleção. Mas é preciso entender que para que a formação pretendida por ele seja vitoriosa (como foi na Copa América), o time esteja extremamente inspirado. Caso isso não aconteça, as dificuldades serão muito maiores do que se a equipe tivesse mais jogadores leves e uma formação com mais alternativas ofensivas.