O Fluminense entrou enfrentou o Vasco com uma formação não muito habitual: O 4-5-1, com Thiago Neves e Conca, dois meias muito ofensivos, se aproximando de Washington e Cícero atuando como volante, cuidando da marcação de Morais. Ygor atuou como primeiro volante e Arouca esteve ao seu lado, mas com mais liberdade para chegar ao ataque.
Antônio Lopes, por sua vez, optou pelo 3-5-2, muito em função de Wágner Diniz, sua principal arma ofensiva, plantando dois volantes para vigiar os meias tricolores, e utilizando Pablo, um jovem de 19 anos e destro, como ala-esquerdo.
A superioridade da equipe do Fluminense foi clara no início. O lado esquerdo do ataque tricolor funcionou muito bem, explorando justamente as costas de Wagner Diniz, com Conca e Junior César fazendo a festa. Foram criadas várias chances por ali, mas o último passe não foi eficiente, tanto nos pés do lateral como nos do meia, ou mesmo nos de Thiago Neves, quando também aparecia por aquela faixa.

Ainda no primeiro tempo, o Vasco conseguiu acertar a marcação, principalmente nos dois meias, e as jogadas do Flu pararam de acontecer com tanta facilidade. No ataque, o time da colina conseguiu, aos solavancos, criar algumas situações com Morais carregando a bola, ou Edmundo saindo da área e tabelando (sua única arma nos dias de hoje) e sempre com Wágner Diniz tentando a linha de fundo (foi assim a melhor chance vascaína na primeira etapa). Mesmo o jovem Pablo, destro, improvisado, completamente torto no flanco esquerdo, conseguiu criar alguma coisa, mas sempre afunilando e procurando o centro, como era de se esperar, e ainda sem o ritmo exigido no futebol profissional. Mas parece que tem talento, o garoto.
A primeira etapa terminou com a sensação de que um time mais qualificado não é suficiente quando se trata de um clássico. Era óbvio que o Fluminense era mais time, mas o desfecho da partida estava completamente aberto.
Antônio Lopes optou por voltar para a segunda etapa com Jean no lugar de Allan Kardec. O Vasco precisava mesmo de um jogador de maior mobilidade, mas se algum atacante tinha que sair, era Edmundo. Mas Lopes é diplomático o suficiente para entender o alvoroço que isso causaria. Quem sofre é o Vasco. Allan Kardec tem muito mais poder de fogo nos dias de hoje.
Mesmo assim, o Animal foi fundamental no gol do Vasco, que saiu na frente em um momento de superioridade tricolor. A defesa do Flu deu liberdade para Morais trabalhar pelo lado direito, que cruzou, a zaga cortou para o alto, e Edmundo protegeu muito bem para finalizar, culminando no rebote para as redes de Jean.
Logo após o gol, Cícero passou a atuar próximo a Washington, ajudando o Fluminense a exercer grande pressão no ataque. E a exemplo do que aconteceu na semi-final da Taça Guanabara, o Vasco sofreu o gol de empate logo depois de marcar seu gol, em jogada de bola parada. Thiago Silva recebeu cruzamento frontal de Thiago Neves e teve tempo de girar e marcar.
Após o gol (com Cícero já de volta à defesa, no tricolor), o nervosismo superou as ações táticas as equipes caíram em um torpor pré-pênaltis. É algo de que o Fluminense precisa cuidar se quiser chegar longe em algum campeonato no ano, principalmente a Libertadores. Os tricolores não mostraram ainda força em momentos decisivos, como na semi-final da Guanabara contra o Botafogo e agora contra o Vasco. Vamos ver se essa força aparecerá na final da Taça Rio e nas finais da Libertadores.
A melhor chance foi criada pelo Vasco. O Fluminense teve mais posse de bola, mas não aproveitou a iniciativa. E, como sempre, Wagner Diniz marcou ao receber passe de Morais. Mas a partida foi mesmo para as penalidades.
Muitos andam culpando Antonio Lopes (que tirou Edmundo e colocou o jovem Pablo para bater o último pênalti), mas não vejo responsabilidade do treinador na derrota. Pênalti não é loteria. Mas o fator sorte conta sim e não era dia do Vasco. Aliás, um Vasco que não merece mesmo ganhar nada nesse Campeonato Carioca. É um time nada mais que esforçado e cumpriu seu papel de 4a força do futebol do Rio atualmente. Reflexo do tumulto que virou a administração em São Januário.