Fluminense x Vasco
12 de Abril de 2008 - Taça Rio - Semi-Final

O Fluminense entrou enfrentou o Vasco com uma formação não muito habitual: O 4-5-1, com Thiago Neves e Conca, dois meias muito ofensivos, se aproximando de Washington e Cícero atuando como volante, cuidando da marcação de Morais. Ygor atuou como primeiro volante e Arouca esteve ao seu lado, mas com mais liberdade para chegar ao ataque.

Antônio Lopes, por sua vez, optou pelo 3-5-2, muito em função de Wágner Diniz, sua principal arma ofensiva, plantando dois volantes para vigiar os meias tricolores, e utilizando Pablo, um jovem de 19 anos e destro, como ala-esquerdo.

A superioridade da equipe do Fluminense foi clara no início. O lado esquerdo do ataque tricolor funcionou muito bem, explorando justamente as costas de Wagner Diniz, com Conca e Junior César fazendo a festa. Foram criadas várias chances por ali, mas o último passe não foi eficiente, tanto nos pés do lateral como nos do meia, ou mesmo nos de Thiago Neves, quando também aparecia por aquela faixa.


Uma jogada que dá bem a entender o que foi a dominação do Fluminense em boa parte do jogo, mas principalmente no início: Marcação
do Vasco numericamente correta, com 1 na sobra, mas o talento do tricolor fazendo a diferença. Aqui Conca gira sobre
Leandro Bonfim e a cobertura distante (um dos fracos vascaínos, devido à mudança de esquema), não alcança o argentino até à linha de fundo.

Ainda no primeiro tempo, o Vasco conseguiu acertar a marcação, principalmente nos dois meias, e as jogadas do Flu pararam de acontecer com tanta facilidade. No ataque, o time da colina conseguiu, aos solavancos, criar algumas situações com Morais carregando a bola, ou Edmundo saindo da área e tabelando (sua única arma nos dias de hoje) e sempre com Wágner Diniz tentando a linha de fundo (foi assim a melhor chance vascaína na primeira etapa). Mesmo o jovem Pablo, destro, improvisado, completamente torto no flanco esquerdo, conseguiu criar alguma coisa, mas sempre afunilando e procurando o centro, como era de se esperar, e ainda sem o ritmo exigido no futebol profissional. Mas parece que tem talento, o garoto.

A primeira etapa terminou com a sensação de que um time mais qualificado não é suficiente quando se trata de um clássico. Era óbvio que o Fluminense era mais time, mas o desfecho da partida estava completamente aberto.

Antônio Lopes optou por voltar para a segunda etapa com Jean no lugar de Allan Kardec. O Vasco precisava mesmo de um jogador de maior mobilidade, mas se algum atacante tinha que sair, era Edmundo. Mas Lopes é diplomático o suficiente para entender o alvoroço que isso causaria. Quem sofre é o Vasco. Allan Kardec tem muito mais poder de fogo nos dias de hoje.

Mesmo assim, o Animal foi fundamental no gol do Vasco, que saiu na frente em um momento de superioridade tricolor. A defesa do Flu deu liberdade para Morais trabalhar pelo lado direito, que cruzou, a zaga cortou para o alto, e Edmundo protegeu muito bem para finalizar, culminando no rebote para as redes de Jean.

Logo após o gol, Cícero passou a atuar próximo a Washington, ajudando o Fluminense a exercer grande pressão no ataque. E a exemplo do que aconteceu na semi-final da Taça Guanabara, o Vasco sofreu o gol de empate logo depois de marcar seu gol, em jogada de bola parada. Thiago Silva recebeu cruzamento frontal de Thiago Neves e teve tempo de girar e marcar.

Após o gol (com Cícero já de volta à defesa, no tricolor), o nervosismo superou as ações táticas as equipes caíram em um torpor pré-pênaltis. É algo de que o Fluminense precisa cuidar se quiser chegar longe em algum campeonato no ano, principalmente a Libertadores. Os tricolores não mostraram ainda força em momentos decisivos, como na semi-final da Guanabara contra o Botafogo e agora contra o Vasco. Vamos ver se essa força aparecerá na final da Taça Rio e nas finais da Libertadores.

A melhor chance foi criada pelo Vasco. O Fluminense teve mais posse de bola, mas não aproveitou a iniciativa. E, como sempre, Wagner Diniz marcou ao receber passe de Morais. Mas a partida foi mesmo para as penalidades.

Muitos andam culpando Antonio Lopes (que tirou Edmundo e colocou o jovem Pablo para bater o último pênalti), mas não vejo responsabilidade do treinador na derrota. Pênalti não é loteria. Mas o fator sorte conta sim e não era dia do Vasco. Aliás, um Vasco que não merece mesmo ganhar nada nesse Campeonato Carioca. É um time nada mais que esforçado e cumpriu seu papel de 4a força do futebol do Rio atualmente. Reflexo do tumulto que virou a administração em São Januário.