Análises Rápidas
Esse espaço está destinado a observações dos principais fatos táticos de alguns jogos, sem tantos detalhes.
10/04/2008 - Audax Italiano 1 x 0 São Paulo - Libertadores - Fase de Grupos
O São Paulo ainda é um time visivelmente mal-arrumado, tanto devido à montagem equivocada da equipe quanto pelos desfalques mas fez uma boa partida no Chile, ao contrário do que indica o resultado.
Os dois times entraram com o esquema 4-4-2, sendo que o Audax teve seu poder criativo muito limitado pela ausência de seu principal jogador, Villanueva. O primeiro tempo foi muito fraco tecnicamente. Foi apenas uma chance de cada lado, já que as duas equipes tiveram sérios problemas para criar. A chance do Audax surgiu em falha de Richarlyson (que fez uma partida tenebrosa) e a do São Paulo foi concluída por Éder Luís em um contra-ataque puxado por Joílson.
O segundo tempo foi de domínio amplo do São Paulo. Hernanes saiu de perto dos zagueiros, onde ficou durante todo o primeiro tempo, e apareceu mais nos contra-ataques tricolores. Com isso a equipe conseguiu chegar com facilidade ao gol do fraco Audax, perdendo três gols incríveis. O primeiro com o próprio Hernanes, que chutou colocado pra fora, da frente da área; o segundo com Adriano que recebeu um chutão e pegou a defesa chilena desarrumada, mas chutou para o alto, perdendo uma chance claríssima. Depois foi a vez de Dagoberto, que havia entrado no lugar de Borges. O atacante recebeu bom passe de Adriano, na faixa direita, cortou para dentro e chutou para fora.
Na volta da conclusão de Dagoberto, o Audax, que sempre atacou timidamente, conseguiu o gol nas costas de André Dias,em boa jogada de Corvetto.
Apesar da boa partida de Joílson (uma de suas melhores desde que chegou ao Morumbi) e Hernanes e de boa participação do Adriano, o São Paulo pecou ao não marcar o gol no momento em que era melhor na partida, a primeira parte do segundo tempo. Em uma de suas poucas falhas defensivas, acabou sendo punido. E agora tem sua classificação colocada em risco, precisando de vencer o Nacional de qualquer maneira, em São Paulo.
05/03/2008 - Libertad 1 x 2 Fluminense - Libertadores - Fase de Grupos
Renato Gaúcho optou por uma formação com apenas um atacante, já que Leandro Amaral e Dodô estão ausentes, com Conca e Thiago Neves se aproximando de Washington e Cícero e Arouca como volantes, com mais liberdade para atacar que Ygor, o cabeça-de-área mais fixo.
O Libertad utilizou um esquema com três zagueiros com Martinez sendo o principal responsável por encostar nos dois atacantes. As principais jogadas dos paraguaios saíam dos pés ou dos alas (Cardoso e Aquino) ou do Volante Robles, mas as penetrações eram tentadas através de passes muito cumpridos e o time da casa só dominou o jogo enquanto a retaguarda tricolor deu espaços à frente da sua área, em alguns minutos do 1º tempo e depois do gol de desempate do Fluminense, já perto do fim da partida.
O Fluminense encontrou certa liberdade para trabalhar durante todo o jogo, já que não encontrou uma marcação severa, como é de se esperar em uma Libertadores. Com isso o jogo ficou bem aberto, com alternância de bons momentos das duas equipes.
Mas apesar de ter tido sua meta ameaçada algumas vezes no 1º tempo e sofrido o gol em bola parada, a maior qualidade das peças ofensivas do Fluminense foi determinante para o empate ainda na primeira etapa, em jogada costurada com perfeição por Conca e Gabriel. O Fluminense tem facilidade para penetrar com seus laterais, jogada muito difícil nos dias de hoje, já que a ultrapassagem tem que ter um "timing" muito correto para evitar a defesa e o impedimento.
O tricolor acabou virando em lance de bola parada (é ser redundante enfatizar a importância desse tipo de jogada hoje em dia) e conseguiu manter um bom volume de jogo apesar da atuação apagada de Thiago Neves.
A entrada de Marin na meia esquerda e Gamarra e Cuevas mais adiantados fizeram com que o Libertad conseguisse pressionar bastante o Fluminense no final da partida, inclusive perdendo gols incríveis, ajudados pela má atuação de Luís Alberto, extremamente desatento na jornada de hoje.
O Fluminense, por sua vez, lançou mão de Maurício no lugar de Arouca para ajudar na marcação e do jovem Tartá no lugar de Thiago Neves. A revelação, dotada de grande velocidade, entrou bem e conseguiu ajudar a segurar a bola no ataque.
Não se pode dizer que a vitória não foi merecida. Os cariocas têm um time mais talentoso e arrumado coletivamente. Mas precisou contar com a sorte (e com a bela atuação de Fernando Henrique) para não sofrer o gol de empate, já que sua defesa cochilou bastante.
05/03/2008 - Real Madrid 1 x 2 Roma - Champions League - Oitavas-de-Final
Real Madrid e Roma fizeram um jogo sensacional em Santiago Bernabéu. Tanto pela qualidade técnica dos seus jogadores quanto pela emoção que proporcionaram em um jogo cheio de alternativas, em que o Real lutava contra o resultado adverso fora de casa na primeira partida.
A formação que o treinador Schuster utilizou foi o 4-3-3, mas com muitas variações. Robinho seria um dos "pontas", mas acabou atuando mais próximo dos jogadores do meio-campo, procurando armar e penetrando pouco. Júlio Baptista tentou aprofundar mais o jogo pelo lado esquerdo, mas também aparecia na frente da área, perto dos homens do meio-campo. Não seria errado dizer que a equipe atuou no 4-5-1. Lembrando que havia a ausência de Van Nistelrooy, lesionado.
Já a Roma manteve o tradicional 4-2-3-1, mas com duas alterações importantes. Cicinho entrou na lateral direita no lugar de Panucci e Aquilani foi titular no lugar de Pizarro, que vinha atuando no time principal.
Precisando do resultado, o Real Madrid tentou imprimir velocidade ao jogo desde o início, acionando suas principais armas: Robinho e Baptista, bem como Raúl, que estava muito bem marcado. Também desde o início a Roma mostrou uma solidez e tranquilidade muito grandes, neutralizando as investidas pelos flancos e congestionando o centro, por onde Guti tentava penetrar.
A estratégia da Roma era não deixar o Real realizar seu jogo de posse de bola, marcando em seu campo, mas de forma agressiva, com todos os jogadores ajudando. A tarefa foi facilitada pela opção de Schuster de deixar Robinho no lado direito. Se Spaletti teve um problema do seu lado direito no jogo de ida, por onde Robben deitou e rolou, era por ali que Robinho tinha que atuar. E isso foi mostrado durante todo o jogo, onde as melhores jogadas surgiram por ali. Mas o duelo Robinho-Cicinho, que tenderia a ser vantajoso para o atacante, praticamente não aconteceu.
Para complicar ainda mais, quando a Roma tinha a bola, o encaixe do meio-campo favorecia o time italiano, que tem um encorpado setor central com 5 homens, e acabou engolindo o meio-campo madridista, que tinha três homens na proteção e muitas vezes se encontrou em desvantagem numérica. Com esse encaixe acabou sobrando espaço para Aquilani vindo de trás e finalizando com perigo várias vezes, criando, inclusive, mais chances que o time da casa. No primeiro jogo, mesmo com um meio-campo mais sólido, o Real já tinha encontrado problemas com a subida do volante Pizarro (que inclusive marcou o gol de empate vindo de trás, naquela ocasião).
As coisas não melhoraram para o Madrid no segundo tempo e o técnico alemão sacou Diarra, lançando Drenthe. O holandês foi posicionado no corredor esquerdo e conseguiu algumas boas jogadas com sua ótima velocidade. Robinho tentava também suas penetrações pelo centro e o Real chegou até a dominar o jogo em certos momentos, quando a Roma errava passes em sua saída de bola e deixava espaços à frente da área, mas nenhuma chance concreta foi criada.
Logo depois Salgado saiu lesionado e entrou o fraco Michel Torres em seu lugar, na lateral direita. Visando explorar esse setor, Spaletti imediatamente colocou Vucinic, que se tornou a principal válvula de escape da equipe, deitando e rolando sobre o espanhol. Foi encima dele que Pepe fez a falta que resultou em sua expulsão. E foi por aquele lado que saiu o cruzamento para o gol de Taddei de cabeça, muito em virtude da falta de um zagueiro alto como Pepe para cortar o lance.
De tanto insistir com Robinho pelo centro, o Real acabou empatando logo depois em enfiada do brasileiro para Raul, mas a Roma não perdeu o controle do jogo e ainda marcou mais um, sacramentando a classificação.
A Roma foi superior nas duas partidas. Mas o Real (que cai pela 4a vez seguida em oitavas-de-finais) cometeu equívocos táticos que podem ter sido fundamentais para essa derrota, principalmente no segundo jogo. Destaque para Aquilani, que muitos acham que devem ser titular, e fez uma grande partida, assim como todo o time da Roma.
04/03/2008 - Cruzeiro 3 x 0 Caracas - Libertadores - Fase de Grupos
O Cruzeiro manteve o esquema 4-4-2 com meio-campo em losango, apesar da ausência de Fabrício, lesionado. Marquinhos Paraná acabou atuando como primeiro volante, mantendo a formação do resto do losango e com Jônatas aparecendo na lateral direita. Parece que Adílson não confia ainda em Apodi, muito conhecido pelo seu excelente trabalho ofensivo no Vitória, ano passado.
O Caracas, que havia vencido suas duas partidas na competição, foi a campo com um 4-4-2 tradicional, com duas linhas de 4 e dois atacantes, sendo que um (Rentería) com mais mobilidade pelos extremos (especialmente o direito). Todos os jogadores do Caracas recuavam até antes da linha do meio-campo para ajudar na marcação.
A Raposa tentou impor seu ritmo desde o início da partida e, calcada na grande mobilidade de seu meio-campo e nas subidas dos laterais, levou perigo ao Caracas desde o princípio. É muito difícil defender-se de um time tão insinuante como o Cruzeiro em um campo tão grande como o do Mineirão. Era possível, logo no início da partida ver grandes espaços na defesa venezuelana, principalmente no lado de Jadílson e Ramírez, tanto pela largura do campo quanto pela facilidade que o Cruzeiro demonstrou em inverter as jogadas de um lado ao outro.
Essas inversões criaram perigo pelos flancos mas também ajudaram a abrir o setor central da defesa, por onde saíram os dois gols do Cruzeiro no primeiro tempo, ambos em passes para penetração. O primeiro de Wagner para Guilherme e o segundo de Moreno para Ramírez. O Caracas tentava algumas subidas esporádicas em bolas lançadas no corredor direito para Rentería, mas o grande volume de jogo cruzeirense não deu chances aos assustados venezuelanos. Após a marcação do segundo gol já era evidente que o visitante não tinha condições de reunir forças para uma possível reação.
Apesar de terem contribuído para a grande vitória, Ramírez e Wagner estiveram um pouco inconstantes, errando alguns passes e carregando demais a bola, como pontuou PVC no "Linha de Passe". Jadílson também tem dado velocidade demais a algumas jogadas, perdendo a passada e desperdiçando oportunidades de contra-golpe. Mas muito disso se deve ao fato de serem jogadores que arriscam mais. De qualquer forma, são pequenos defeitos dentro da engrenagem do Cruzeiro, que vem funcionando bem.
O Cruzeiro ainda conseguiu o terceiro gol em mais uma enfiada de bola de Wagner, desta vez para Marcelo Moreno, em gol parecido com os outros dois. Wagner saiu para a entrada de Marcinho e o ataque também foi substituído para a entrada de Marcel e Leandro Domingues. Em um jogo de 3x0, a tática deixa de ter tanta importância. Depois disso, foi apenas festa da torcida cruzeirense.
01/03/2008 - Arsenal 1 x 1 Aston Villa - Campeonato Inglês - 28a Rodada
O Arsenal teve vários problemas com desfalques: Eduardo e Van Persie no ataque, Rosicky e Eboué no meio e Touré na zaga. Apesar disso entrou com o mesmo esquema que costuma utilizar, o 4-4-2, com uma linha de quatro no meio (Flamini um pouco mais recuado), dois meias abertos e dois atacantes, um com mais mobilidade (Walcott) e outro como referência (Adebayor).
O Aston Villa também entrou com sua formação original, também o 4-4-2, já que o principal desfalque era o zagueiro Mellberg. O time de Birmingham tem muitas estruturas fixas, um time muito aplicado que guarda posição, mas que ao mesmo tempo leva grande perigo com seus dois atacantes, Agbonlahor, uma dos destaques da Premier League, e o excelente centro-avante Carew.
No primeiro tempo, o Arsenal tentou impor seu estilo de jogo, com posse de bola e circulação ofensiva, mas esbarrou na forte marcação de 2 linhas (9 jogadores) do Aston Villa e na pouca inspiração de seus jogadores. Hleb e Clichy, os meias, estiveram mal. Adebayor não recebeu bolas em boas condições, apesar de sempre ter muito ímpeto. Walcott até que fez uma boa primeira etapa, mas peca às vezes pela inexperiência, escolhendo opções erradas para dar prosseguimento às jogadas. As tentativas de penetração e abertura de espaços não surtiram efeito e os Gunners tiveram poucas chances.
Já o Aston Villa chegava poucas vezes, mas sempre com contundência. Foi assim que conseguiu seu gol. Maloney encontrou Agbolahor no mano-a-mano no lado esquerdo do ataque e o atacante cortou para a linha de fundo e chutou forte para dentro da área, para o gol contra de Senderos. A equipe ainda teve dois problemas na primeira etapa, Davies e Reo Cocker (zagueiro e primeiro volante, respectivamente), saíram lesionados, dando lugar a meras peças de reposição, não mudando a estrutura da equipe.
Como já era de se esperar, o segundo tempo foi um "samba de uma nota só": Pressão do Arsenal diante de um visitante em vantagem recuado. O Aston Villa até que conseguiu alguns contra-golpes interessantes, mas era possível ver até John Carew marcando em sua intermediária. O Arsenal pressionou bem ao seu estilo, tentando penetrações, alternadas com tentativas de cruzamentos e finalizações de fora da área, mas a equipe, de um modo geral, estava pouco inspirada. A equipe praticamente não teve chances claras de gol. A entrada de Bendtner no lugar de Diaby foi a mais importante importante substituição do treinador Wenger, procurando dar mais força ao ataque, especialmente pelo alto. Gilberto (no lugar de um zagueiro, Senderos) e Denilson também entraram já aos 33 do segundo tempo numa tentativa de melhorar os passes iniciais para a criação de jogadas, mas nada disso deu muito certo.
No entanto a insistência dos times ingleses de segundo escalão de abdicarem do ataque, marcando à partir de sua intermediária defensiva sempre que têm vantagem continua dando jogos de presente para os grandes. Tanto tempo defendendo-se tão perto do gol contra atacantes talentosos não poderia ter dado em outra coisa. Em bola levantada na área pela esquerda, Adebayor escorou e Bentdner acabou aparecendo livre na frente do gol para escorar e empatar. Sorte? Um pouco. Erro de estratégia do Villa? Muito!
27/02/2008 - Internazionale 1 x 1 Roma - Campeonato Italiano - 25a Rodada
A Inter, desfigurada pelos desfalques, atuou com um sistema diferente, com apenas um atacante (Crespo) e cinco meio-campistas: Stankovic e Figo mais à frente, Cambiasso e Vieira como volantes mas procurando chegar ao ataque e Zanetti fixo. Quando tinha a posse de bola, os laterais também procuravam avançar, o que é um dos pontos fortes da equipe. A Roma utilizou o seu tradicional 4-2-3-1 mas com Mancini de fora. Em seu lugar atuou Vucinic, fazendo o flanco-esquerdo do meio-campo.
O primeiro tempo foi de muito equilíbrio, com a Roma exercendo leve superioridade baseada na velocidade e nas tentativas pelos flancos, principalmente o direito com Taddei e Cassetti. O lado esquerdo com Vucinic não funcionou muito durante boa parte da primeira etapa. Já a Inter procurava conduzir a partida através da forte marcação e da posse de bola no ataque, esperando o melhor momento para arrematar, tentando usar Crespo ou levantando bolas para a área. A melhor chance da Inter acabou acontecendo com o atacante argentino, que recebeu um bom cruzamento de Vieira e chutou de voleio na trave.
Mas a Roma conseguiu seu gol numa das raras tentativas pela esquerda com Vucinic trabalhando com Tonetto, que cruzou com perfeição para o arremate preciso de Totti, sem chances para Júlio César.
Para o segundo tempo a Inter voltou com Suaso no lugar de Stankovic, alterando o esquema da equipe, que passou a ter uma linha de quatro no meio e dois atacantes. O jogo permaneceu equilibrado por um tempo, mas aos poucos a Roma foi tomando conta. Vucinic passou a atuar pelo centro, invertendo com Perrota e as jogadas com Totti funcionaram, levando a várias chances.
A Inter passou a perder o meio-campo à partir das substituições ruins que o treinador Mancini fez. Primeiro entrou o jovem Balotelli no lugar de Cambiasso. Depois Pelé para a vaga de Figo. Em contraste, a Roma lançou o ótimo Aquilani no lugar de Pizarro. Pra piorar a situação Maxwell saiu contundido e Zanetti recuou para a lateral-esquerda. Com isso o meio-campo da Inter, formado por Vieira e os dois jovens que entraram foi engolido pelos 5 jogadores do volumoso meio-campo romano.
Apesar disso a Roma não conseguiu marcar seu gol e ainda perdeu Mexes, tolamente expulso. Juan entrou no lugar de Taddei para ajudar a segurar o resultado mas a sorte de campeã estava do lado da Inter que mesmo jogando muito mal conseguiu um gol fantástico com bela finalização de Zanetti de fora da área em rebote de cruzamento, conseguindo empatar um jogo perdido e manter a vantagem de 9 pontos para o rival.